domingo, 28 de novembro de 2010

Passou a mão pelos cabelos, fios brancos e usados em grande maioria. A outra mão pela cintura, dele, mas pensando na dela. Com um olhar firme e decidido pensava em como intenromper aquela conversa. Ela, descontraída e preocupada, imaginava o chão da cozinha. Chegando bem próximo dela, ele hesitou entre contar um segredo ou beijá-la ardetemente. Não fez uma coisa nem outra. De novo tocou em seus cabelos, talimãs doados pelo tempo. Respirou fundo e despediu-se, ela tocou suavente em seu ombro e disse do prazer da conversa. Os olhos faíscantes se encontraram. A alegria do encontro deu lugar ao vazio da despedida. Ela, em casa, limpando o chão da cozinha, lembrava daquela voz tão imponente. Ele, no café, com um cigarro entre os lábios, sem tempo para grandes reflexões, pensou no segredo que deveria ter contado: a tristeza imensa por não ter envelhecido ao seu lado.