
Quando eu era pequena, morava no interior, no meu interior e no interior do Brasil. Num fim-de-mundo mágico repleto de sonho e imaginação. Toda quinta eu tinha um compromisso muito sério, ia à manicure com minha mãe. Era um ritual feminino demorado e belo. Entre muitas conversas desnecessárias e o cheiro do esmalte, um som me encantava e me fazia voltar sempre àquele lugar. A mulher que cuidava das mãos da minha amada mãe usava anéis e antes de passar o esmalte nas unhas da minha mãe ela fechava as duas mãos com o esmalte no meio e o fazia rolar entre um sentido e outro. Neste momento absolutamente e absurdamente mágico, eu fechava os meus olhos e escutava com todo o meu louvor aquele mantra. Os anéis tocando no esmalte que iria tornar minha mãe mais bela...e eu sonhava alto, muito alto, sonhava que um dia, não muito distante, eu teria anéis e poderia ser dona daquela melodia, aquela capaz de anunciar o cuidar de um feminino mais do que misterioso e especial...
Um comentário:
Eis o que podemos chamar de sensibilidade até mesmo nas aparentemente pequenas coisas! Nada seria aquele instante que ecoa até hoje o som de um instante mágico.
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