Com a cara afundada na roupa que havia usado há tão pouco tempo sentia aquele estranho perfume...um perfume selvagem que a remetia para aqueles olhos...olhos pequenos, escuros, perigosos, agressivos, naturalmente ameaçadores...sentiu tanto medo ao olhar para eles, um medo estranho, um medo de ser totalmente invadida por esse outro. Aquele cheiro a levava por esses lugares em sua psique, um cheiro que não era dele, nem dela, mas de algo que havia acontecido, algo que fugiu de toda e qualquer regra, de qualquer previsão banal. Viajava suavemente por uma outra realidade, menos dura, menos enfadonha, menos real...sentia ainda um gosto de vida, um gosto de alegria, de saudade...saudade do que vinha pela frente, como poderia ser? Simplesmente assim...afastou a roupa de sua face, pensou que gostaria de se transformar no protagonista do filme "Na natureza selvagem", levar na mochila somente o extremamente necessário...levaria aquele cheiro, aquele gosto, aquele olhar, não na mochila, mas na palma de sua mão...
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