Ela era extremamente católica. Todos os dias fazia sua oração no início da manhã, acendia a vela para seu santo de devoção, respirava fundo e ia rumo aos seus afazeres. Era uma bela mulher de meia idade e durante todas as tardes ia ao curso de bordado. Num edifíco simples, sentava-se com pessoas também simples e tudo transcorria dentro de uma simplicidade calma e limpa.
Naquela terça-feira andava ela distraida pela rua em direção à sua aula de bordado. Disse olá ao porteiro e entrou no elevador. Pensava no almoço do dia seguinte, na missa que iria mais tarde, enfim seus pensamentos estavam cercados pela sua rotina. A porta do elevador se abriu e ela se deparou com o caos. Saiu do elevador e viu um boi enorme, junto a ele vários carneiros, águias voavam pela sala. Um barulho infernal de chuva atormentava seu olhar. Nas paredes enormes buracos, a cortina amarela apresentava o abismo e ela mal conseguia respirar. Diante de tamanha confusão visual reconheceu suas colegas de bordado, que sorriam de forma suave. Ninguém estava vendo o caos?, pensava ela. Não, ninguém via o que ela estava vendo. Entre vozes, ruídos de portas e o barulho da chuva ela correu para a escada. Desceu rapidamente até a portaria. Parou e fez uma oração. Pediu para Deus ilumininar e organizar o mundo. E no canto da portaria onde estava parada, suada e assustada, rezou com lágrimas nos olhos e o coração em chamas...Olhou para cima e viu o rosto de Deus imerso num furacão colorido, mergulhado numa luz caótica e brilhante. Suas pernas se desorganizaram e ela caiu desmaiada no chão.
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