terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Carpe diem

"Confias no incerto amanhã?
Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua
o riso claro de um corpo que te exige o prazer?
Fogem-te, por entre os dedos, os instantes;
e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase,
deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue
a tua memória, para que o roubes ao sono dos sentidos.
Porém, nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então, por que esperas
para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera,
das margens visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar que me oferece
o leito profundo da sua imagem!" Louco, ignora que o destino,
por vezes, se confunde com a brevidade do verso."
Nuno Judice

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