Eram ambos engenheiros navais. Se conheceram na empresa, os dois trabalhavam lá. Se encantaram um pelo outro. As conversas eram longas, intensas e profundas, as vezes duravam mais do que cinco horas. Gostavam das mesmas coisas e a comunicação entre eles desde o primeiro encontro era uma certeza. Das muitas afinidades havia uma que chamava a atenção: não gostavam de compromisso, não pensavam em casamento, ou em um namoro normal. Tudo menos a normalidade: era o lema da relação. Ele era mais velho do que ela onze anos e meio e isso era muito significativo. Ele já havia vivido experiências que ela nunca havia imaginado. Não era nada secreto, obscuro, eram experiências daquelas que marcam o rosto da gente, que deixam as fendas interiores mais ásperas. Ela não entendia isso, não podia entender, seu temperamento não era intenso, nem trágico, como o dele. E durante anos o nammuio aconteceu. As vezes se interrompia brevemente. E eles sabiam porque: toda vez que a relação exigia mais compromisso do que diversão, a corda imaginária que existia entre eles se rompia. Estar de fato comprometido era fora de cogitação para ambos. Então, não eram companheiros no sentido largo da palavra, eram amigos, bons amigos, bons amantes, mas não eram companheiros de forma alguma. Mas havia muito amor entre os dois. Eis que um dia o inesperado aconteceu: ele se apaixonou por uma outra mulher. Ela não gostava das mesmas coisas que ele, ela era inclusive mais velha do que ele, e acomunicação entre eles não era uma certeza, não passava de uma simples aposta. Mas, ela era um porto seguro, ela não o deixava nos piores momentos e o mais importante: ela não deixava que ele a deixasse nos piores momentos. E eles foram morar juntos e durante anos tiveram uma relação de confiança, de amor, de cumplicidade e de companheirismo.
Anna continuou no mesmo emprego e embora tivesse sofrido muito com o término da sua relação com Edgar, ela seguiu adiante, ela sabia que não havia problemas, afinal ela tinha onze anos e meio de crédito.
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