sábado, 3 de janeiro de 2009

O tempo/ der Zeit

Paulo era um sujeito que gostava de viver. Embora desde muito cedo a vida tenha lhe mostrado seus densos e tenebrosos limites, a vida no auge dos seus quarenta anos ainda o fascinava muito. Ele não gostava muito de bichos, mas era um apaixonado pela pessoas. Toda e qualquer pessoa causava nele uma admiração profunda e quase absoluta. Um dia, Paulo conheceu Mathias que era cinquenta anos mais velho do que ele. Ficou fascinado. As rugas que compunham o rosto de Mathias despertavam um amor imenso em Paulo. Não era um amor erótico, não. Era um amor sublime. Ele olhava para aquelas rugas e imaginava que cada uma delas continha um história, de encontro, de desencontro e sobretudo de superação. E os dois se tornaram grandes amigos em algumas poucas semanas. Tinham uma afinidade de alma. Em pouco tempo surgiu uma bela amizade, os dois quando juntos estapavam confiança mútua, sintonia, cumplicidade. E Paulo conheceu os muitos filhos de Mathias. Era bem interessante. Todos, em um determinado momento, faziam a mesma pergunta: "Há quanto tempo conhece nosso pai?". E Paulo respondia. E em seguida vinha o olhar sempre perplexo, não entendiam como uma amizade que parecia ter anos, tinha na verdade tão poucos dias. E Paulo conheceu os amigos de Mathias e a mesma pergunta se repetia e a mesma perplexidade se seguia a resposta. E Paulo entendia, entendia que na maioria das vezes, o encanto, o respeito e a cumplicidade vem depois de muito tempo de convivência. E lembrava que seus amigos sempre lhe diziam que ele era encantador e que por isso as pessoas gostavam tanto dele em tão pouco tempo. Paulo não sabia disso, sabia com toda profundidade que ele sim, era encantado pelas pessoas, pelas histórias dessas pessoas, pelo caminhar delas pela vida. Sabia também ter herdado do seu tio-avô uma relação diferente com o tempo, ele não se peocupava com a extensão do tempo, mas sim, com a fecundidade e a profundidade de cada momento.

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