sábado, 4 de abril de 2009

Habermas e Nietzsche

O Discurso Filosófico da Modernidade de Habermas é um livro relativamente chato. Isso porque Habermas é pouco cuidadoso com o leitor, escreve para si e não para o outro. No capítulo que ele trata do pensamento de Nietzsche há uma série de equívocos. O primeiro deles: Habermas não reconhece a multiplicidade da filosofia nietzschiana. Ele estaciona no primeiro Nietzsche, no livro O nascimento da tragédia. Isso é problemático porque:1) sabemos que os escritos não publicados desta época (do NT) muitas vezes contradizem o filosofia/trágica/metafísica lá exposta por Nietzsche, que queria muito publicar o livro e precisava do aval de Wagner, grande influência na época; 2) seis anos mais tarde Nietzsche publica Humano demasiado humano, um livro positivista, onde Nietzsche vai romper com a concepção de arte exposta anteriormente e dar as mãos para a ciência, mostrando uma ruptura com o pensamento de Schopenhauer e com a arte wagneriana.
Habermas também mostra pouco conhecimento em relação à Dionísio na obra de Nietzsche. Dionísio não pode, ao meu ver, ser trabalhdo isoladamente. No NT há uma correspondência entre o pensamento de Schopenhauer - vontade-idéia-representação- e o pensamento de Nietzsche - uno-primordial-dionísio-apolo. Apolo e Dionisio saõ duas pulsões artísticas complementares. Dionísio só torna-se acessível pela máscara de apolo.
Poderia citar mais alguns equívocos, mas sabendo que no Discurso Filosófico da Modernidade o que está em jogo não é de fato a filosofia nietzschiana, mas como essa pode servir para Habermas chegar onde ele quer, ou seja, mostrar os pontos da sua própria filosofia que de alguma forma se relaciona com o iluminismo, não tem problema ter tanta coisa fora do lugar.

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