
Sempre imaginei que a academia fosse uma deliciosa torre de babel. Imaginei que as diversas línguas lá faladas possibilitassem um enriquecimento sem igual ao nosso olhar. Imaginem: ouvir uma língua desconhecida, falada por alguém que ama o saber, isso na minha ingênua visão só poderia enriquecer e multiplicar as nossas perspectivas sobre o processo de conhecimento, sobre pensadores entre outras coisas. As experiências me revelaram a face da babel confusa e frágil.
Acordei ontem pensando nessas questões e em Spinoza. Não pensava na face genial do filósofo mais na face mais próxima de todos nós que gostamos de conhecer. Spinoza passou a vida polindo lentes, não deu aulas em nenhuma academia, dedicava-se a sua paixão pelo conhecimento de forma relativamente solitária. Eu estava levando em consideração a possibilidade de aprender um novo ofício, polir lentes. Fui para a faculdade nesse clima de futura polidora de lentes. Mas, tive uma grata surpresa...asssisti uma aula sobre Derrida ministrada por Nabil Araújo. Um acadêmico sério, inteligentíssimo e muito hábil. Imaginem o que é tornar Derrida didático? Tarefa para um Titã. Derrida que tem um pesamento escorregadio, muitas vezes difícil. Pois Nabil ensinou muito sobre Derrida sem reduzir o pensamento dele. Mostrando total clareza sobre o que falava, Nabil não tentava arrebatar o ouvintes (de forma egóica como costumam ser alguns palestrantes) e nem arrebanhar discípulos. Voltei para casa pensando que talvez aprender polir lentes não fosse mais necessário.
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