quarta-feira, 4 de março de 2009

Descoberta

Naquele dia ela descobriu que o amor situava-se entre a vaidade e a indiferença. Roberto ficou por apenas dez minutos em sua casa, tempo suficiente para pegar umas coisas e dizer um olá. Ela olhou atentamente aquele companheiro de mais de vinte anos. Percebeu como ele havia envelhecido e ela também, mas algo no olhar conservava um amor juvenil. Mas, juvenil mesmo eram as muitas paixóes que ela sempre carregou. Era uma alma que muito se apaixonava. Podia ser por um dia ou três anos, pode ia ser por um livro, por um pensador ou por alguém. Ela sabia que precisa das muitas paixões e ele também. As muitas paixões a levavam pelas sendas do mistério e da imaginação. Mas a face do sagrado ela só beijava através do amor que sentia por Roberto. Pensava muito nele, mas sem fantasia, sem mistério, por isso achava que o amor se localizava entre a vaidade e indiferença. E acreditava também que o amor era um vazio concreto que carregava o peso do mundo.

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