domingo, 15 de março de 2009

Lua

Completamente nua olhava a lua pela janela. Estava no sétimo andar do prédio. Luzes apagadas. Um vento suave enconstava em seu rosto. Estava feliz. Tinha uma intimidade estranha com a lua, como a maioria das mulheres. A lua que mudava as marés e o humor feminino. A lua que era homenageada durante os períodos de romance e esquecida na rotina pesada do dia-a-dia. Lembrava-se da última viagem para Grécia, do passeio de navio, da visita à Atenas, das muitas noites agradáveis. Ouviu um barulho bem próximo: era Kant, seu cãozinho de estimação que se aproximava. Kant não conhecia nenhum imperativo categórico, apenas os hipotéticos e desses, os problemáticos. Moravam no apartamento somente os dois: ela e Kant. Mergulhada em pensamentos leves e complexos assistiu ao inusitado. Seu quarto foi inundado por inúmeros papéis. De onde vinham? Pegou alguns: poesia...pura poesia. Rilke, Nietzsche, Cecília, Drumond, Cabral, Bandeira...Todos estavam lá, ao lado dela e de Kant. Melissa sorria docemente. Sabia que era um recado, mas não queria responder. Não queria dizer nada, queria apenas continuar sentindo a plenitude...amparada pela lua, acompanhada por seu cãozinho hipotético e pelos seus grande amigos...

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