domingo, 8 de março de 2009

Sobre o amor - Rilke - 1904

"Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas preparação. Por isso as pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo.Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitáro, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como um convite para trabalhar em si mesmo ("escutar e martelar dia e noite"). A fusão com outro, a entrega de si, toda espécie de comunhão não são para eles (que deverão durante muito tempo juntar muito, entesourar); são algo de inacabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana."

Nenhum comentário: