"Eu, que fabrico o futuro como uma aranha diligente. E o melhor de mim é quando nada sei e fabrico não sei o quê." E nesse momento a felicidade vaporosa e frágil aparece, quando não sei mais quem eu sou, nem o que eu quero, nem me lembro em qual tempo estou; passado, presente, futuro? Sei apenas que estou diante de um olhar, que não é qualquer um, mas aquele que me deixa sem chão, nem ar. Que me deixa sem identidade, que me desorganiza inteiramente. Esqueço que não sou não inteira, que ele fala japonês ou mandarim? Que ele fala uma língua que eu não entendo, mas que eu sinto minha, me sinto totalmente alfabetizada por esse outro idioma. E nesse sentir, sinto a vida pulsar em meu corpo e sinto estranhamente que ele marca a minha solidão. E que a minha solidão me coloca em comunhão com o mundo, com o universo. E nesse pensar-sentindo, a felicidade vaporosa deixa seu perfume.
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