terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Iluministas decadentes

"A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa de compreensível." (Livro do Desassossego) Diante desse trecho do LD, penso que somos todos iluministas decadentes. Deixamos de crer em Deus, em Deuses, na moral kantiana, deixamos de crer em tudo ancorados na razão. A razão é a nossa deusa maior e caminhando pelos seus labirintos interpretamos sonhos, gestos, palavras, interpretamos a realidade, que por si só nada diz, nada é, e se é algo, esse algo é inapreensível para nós. Se o céu metafísico caiu por terra no século XIX, céu esse que vinha ruindo desde o século anterior, século das luzes, o chão no qual pisamos também está ruindo. E para onde vamos e qual sentido buscaremos? Se por um lado a razão nos ajudar a caminhar nesse nada que é o existir; como uma cobra, a razão morde sua cauda e nos coloca de fente para o espelho. No espelho não há nada além de um belo e profundo abismo.

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