domingo, 14 de dezembro de 2008

Pantera Negra

Naquele noite Ana demorou para chegar em casa. Encontrou Carlos dormindo. Entrou no quarto e procurou pelo seu rosto inutilmente. Via seu corpo espalhado pela cama, mas no travesseiro havia a face de uma pantera negra. Uma pantera que dormia de forma assustadoramente calma. Ana sentiu calafrios. Imaginou que conhecia Carlos e nunca havia visto aquela pantera. Sentou-se na beira da cama. Pensamentos tortuosos invadiam sua mente. Sentia um cheiro adocicado de perfume no ar, não era dela e jamais poderia ser de Carlos. Quem deitara naquela cama durante toda a tarde que Ana passou no escritório? Imaginou as duas panteras se entrelaçando de uma maneira íntima e cruel. Não podia mais evitar as lágrimas, olhou novamente para a cama e lá estava o estranho animal. Nada mais fazia sentido. Ana viu sua vida de anos ruir. E envolta em devaneios uma frase repetia-se: tomei meu remédio hoje? Não, não tomou. Correu até a bolsa e da maneira mais rápida possível ingeriu o medicamento. Em seguida foi tomar banho. Voltou ao quarto após uma hora. Olhou longamente para a cama, lá estava dormindo Carlos, seu melhor parceiro, seu grande amigo, seu melhor amante. Ana respirou aliviada. Deitou-se feliz e calma ao lado de seu grande amor.

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